Agora deixo com vocês o Primeiro Capítulo. Só para constar gente,
eu ainda estou escrevendo o livro, só que infelizmente não tive tempo nem para chegar na metade.
Já tenho três capítulos prontos e mais ou menos 40 à 50 páginas escritas (pelo word rs). Com essa correria toda de estudar para o ENEM e etc acabo ficando sem o tempo que eu gostaria ter para escrever. Mas aos poucos eu vou avançando (Amém!). Às vezes dá para escrever mais de duas páginas, tem dias que dá apenas para escrever alguns parágrafos e há alguns dias que não escrevo nada.
Mas o blog é exatamente para ir postando aos poucos trechos, capítulos a medida que estes estiverem prontos, comentar sobre outras obras, falar sobre coisas interessantes e etc, dar dicas...
Enfim, quem visitar o blog, se puderem comentar eu ficaria bem grato!
Alguns já devem ter ouvido/lido o capítulo através das aulas da Rita, mas pelo que me constaram ela não leu completo em algumas salas, então aqui vocês poderão ler tudo e depois dar sua opinião. Como ninguém é perfeito, eu sou humano e cometo erros, provavelmente deve haver alguns errinhos que passaram desapercebidos. E como também não sou nenhum ser humano acima de ninguém, minha história não agradará a todos. Aqueles que não gostarem, por favor, em vez de deixarem comentários maldosos, deixem
comentários construtivos, críticas que deem para serem aproveitadas. É importante para um autor isso =)
Capítulo I
Logo pela manhã, o calor já era causticante. Estavam em meados de dezembro e o
Natal seria dali alguns dias. Bruna gostava dessa época, embora não fosse muito
amiga do calor. Agradava-lhe um clima mais morno e normal. Mas nesses dias de
verão, era impossível que não houvesse calor excessivo.
Desceu sorridente para tomar o café da
manhã com sua família. Na mesa encontravam-se sua mãe, seu pai, sua irmã mais
velha e seu irmãozinho mais novo. Reuniu-se a eles e logo já se servia de
torradas e suco de laranja.
_ Bom dia filha – Sua mãe, Dona Monique, uma mulher sorridente, cheia de vida e
com ótimo senso de humor; ficou feliz ao ver a filha tão alegre logo cedo –
Está bem animada querida, o que aconteceu?
_ Nada não. – Bruna respondeu, corando um pouco – Acho que estou assim porque o
dia lá fora está lindo e estou querendo aproveitar bastante.
_ Aproveitar com o Guilherme? – Sua irmã perguntou-lhe com um sorriso
brincalhão de canto de boca. Bruna sabia que ela estava tentando deixá-la sem
graça, o que já era comum e, mais comum ainda, era que a garota realmente
sempre ficava sem graça. – Ora Bruna, vocês são namorados...
_ Na verdade estava pensando em passar o dia com as meninas. Não sei se quero
ver o Gui hoje...
_ Ora Sophia, deixe sua irmã em paz. – Disse a mãe das duas, repreendendo a
mais velha – Bruna está cansada de você deixá-la sem graça desse jeito.
_ Nossa, eu não disse nada demais. Eles são namorados não são? É meio lógico
que passem um dia juntos...
_ Não gosto que a Bruna passe um dia todo com o Guilherme. – Carlos, o pai da
garota, disse olhando para os seus olhos – Sei que você já está numa idade de
namorar e etc., não que eu goste muito dessa coisa toda. – Ele pigarreou – Mas
não acha que o Guilherme é uma criança perto de você?
_ Bem, eu gosto dele. – Bruna disse isso de forma tão rápida e vazia que não
conseguiu convencer nem si mesmo – Quer dizer, ele é legal...Eu rio com ele.
_ Fazer rir não basta. – Seu pai continuou sério a encarando – Mas se você acha
que está tudo bem...
_ Eu gosto do Gui. Ele me traz doces. E quando eu peço para ele, me dá
carrinhos. – Alegou Matheus, enquanto repartia sua torrada em vários pedacinhos
pequenos. – Não é verdade mamãe?
Dona Monique riu e concordou com a
cabeça. Nessa altura todos já estavam rindo.
_ Pai, fique tranquilo. Ele é meu primeiro namorado. Não significa que sendo o
primeiro, será o único. E muito menos significa que iremos nos casar. – Bruna
explicou ao terminar de comer sua torrada, enquanto esticava o braço para pegar
um pão de queijo – Gosto de viver os momentos de cada vez e o momento agora é
ele.
_ A Bruna está certa querido. O Guilherme é um bom rapaz. – Interveio Dona
Monique antes que o marido viesse falar mais alguma coisa.
_ Bem, isso é. – Ele concordou com a cabeça – Já que o dia hoje está lindo e eu
consegui uma folga no trabalho, que tal irmos todos juntos ao cinema à noite?
_ Hoje vou sair com o Raul e as meninas pai. – Sophia comentou, enquanto
levantava-se da mesa e ia lavar as mãos. – Vamos para uma festa.
_ Ah, que sem graça então. Queria ir com a família toda. – Carlos fez um
biquinho e Dona Monique riu da situação. – Deixemos pra outro dia então.
_ Por mim tanto faz, pai. – Bruna sorriu – Eu acho que seria um programa legal.
_ Deixaremos para outro dia mesmo. – Dona Monique disse, enquanto limpava alguma
coisa no rosto de Matheus– Pode sair hoje também, filha.
_ Certo. – Bruna levantou-se e foi enxaguar o seu prato. – Irei dar uma volta
no parque agora, tudo bem?
Os pais concordaram com a cabeça
sorrindo.
_ E eu vou falar com o Raul, com licença pai, mãe. Tchau Matheus. – Sophia
mandou beijos para todos e se retirou, depois de dar um tapa de leve nas costas
da irmã.
Bruna subiu para seu quarto e pegou seu
celular e seu fone de ouvido. Colocou os fones nos ouvidos e a primeira música
a tocar foi Give your heart a break.
Desceu as escadas cantarolando e após mandar beijos para os pais e para o
irmãozinho, saiu de casa para dar uma boa caminhada relaxante.
Iria sentir falta da família se
conseguisse realizar seu sonho de ir estudar fora. De seu pai, tão protetor e
responsável e sua mãe, uma mulher de fibra, incrível e cheia de vida, a quem
admirava muito. De sua irmã, sempre pronta para lhe irritar um pouquinho, como
toda boa irmã mais velha, mas sempre disposta a lhe dar conselhos de todos os
tipos e condições. E até mesmo do irmãozinho mais novo, que por mais que, às
vezes, fosse um chato e chorão, amava muito. Amava a todos demais e agradecia
todos os dias por ter uma família tão unida e brilhante como a sua.
O movimento pelas ruas e avenidas estava
grande, como sempre. Viviam em São Paulo e estranho mesmo seria se as ruas
estivessem calmas, se as pessoas estivessem calmas e se não houvesse nenhum
tipo de correria, barulho ou gritaria.
A família havia se mudado para a grande
metrópole há pelo menos uns dois anos. Antes disso, viviam no Sul e por lá
levavam uma vida tranquila e menos movimentada. Bruna sentia falta do verde, do
ar puro, da calmaria e das montanhas que faziam parte da paisagem. O céu
parecia mais azul e as nuvens mais brancas. Enquanto, em São Paulo, a cidade
tinha aquele triste aspecto de ser acinzentada e o ar não era nada agradável.
Demoraram em se acostumarem com a nova vida, mas aos poucos foram conseguindo.
A única coisa que Bruna realmente achava positivo nessa mudança era que agora
não perdia mais os filmes no dia de suas estreias no cinema. Na antiga cidade,
não havia um cinema.
Mas além de tudo, gostava de São Paulo.
Estudava em uma boa escola, morava em uma boa casa em um bairro bom. Tinha as
melhores amigas que poderia ter, não se esquecendo de, claro, suas amizades
mais velhas que haviam ficado no Sul, além de ter um namorado engraçado. Levava
uma boa vida e tinha consciência disso.
Porém, ainda havia algo. Não que
desejasse muito mais que tudo o que já possuía, não era nem um pouco ambiciosa.
Mas sabia lá no seu íntimo que alguma coisa faltava e ali, onde vivia sua boa
vida, não iria encontrar. Tinha medo de ser loucura, de ser apenas um sonho mal
pensado, mas sentia no fundo que sua vida não era ali. Por mais incrível que ela
fosse algo lhe esperava lá fora: uma carreira brilhante e talvez um amor de
novelas.
Foi até o parque de o Ibirapuera correr
um pouco. A garota correu vários metros sem parar, na companhia das músicas que
lhe faziam tão bem. Música para Bruna era vida e era um de seus hobbies
favoritos. Fazia aula de violão há dois anos e gostava muito quando criava suas
próprias composições.
Como era dia de semana, o parque não
estava tão cheio quanto ficava aos finais de semana. Isso lhe deu a
tranquilidade que necessitava para aproveitar aquele dia tão bonito. O verde ao
seu redor, as pessoas conversando e rindo, aquele ambiente mais natural entre
outras coisas lhe agradavam e parecia que seu coração se enchia de inspiração.
Encostou-se a uma árvore e sentou na grama verdinha e ficou observando. Um
garoto moreno, alto e bonito passou correndo e piscou para a garota, que ficou
vermelha. Começou a rir como uma boba, imaginando o que Guilherme diria ou
faria se tivesse visto isso. Chegou à conclusão de que não sairia coisa boa e
parou de pensar nisso.
Ficou algumas horas no parque e foi
embora depois de correr mais um pouco. Combinou com Bianca e Lara de se
encontrarem em uma sorveteria e rumou até lá, um pouco cansada, mas cheia de
vida.
_ Aí está ela! – Exclamou Lara, vindo ao encontro da amiga abraçá-la – Uma
semana sem ver você e eu já estava sentindo saudades.
_ Oi Lara. – Bruna abraçou a amiga de forma apertada – Senti sua falta também.
Como está?
_ Muito bem e você?
_ Estou bem, hoje o dia está incrível. Fui para o parque me banhar de
sentimentos bons. Acabou que recebi umas dez cantadas por lá, nunca ri tanto na
vida.
_ O Guilherme iria adorar ver essas cantadas, né? – Bianca ironizou dando
risadas – Ai Bru, estou precisando falar com você.
_ O que foi?
_ É sobre o Marcos, quem mais poderia ser? – Lara revirou os olhos e Bruna
abafou um sorrisinho – Só que dessa vez, ele finalmente pediu para ficar com
ela e nossa amiga aqui está enrolando.
_ Enrolando, tipo assim, por quê?
_ Ai Lara, não é bem assim. – Bianca encarou a amiga e balançou a cabeça. Bruna
sabia muito bem que Bianca não queria admitir seu orgulho. – Sabe Bruna, - ela
continuou, virando-se pra amiga – Ele veio sim realmente pedir pra ficar comigo
e...
_ E...? – Quis saber Bruna.
_ E que eu disse que ia pensar. – Bianca fez um bico, puxou a cadeira e
sentou-se emburrada sem dizer mais nada.
_ Como assim disse que ia pensar? – Bruna coçou a cabeça e sentou-se também,
seguida de Lara. – Quer dizer que você passou uns dois anos atrás dele pra que
quando chegasse o momento que você tanto esperava, simplesmente dissesse que ia
pensar?
_ É exatamente assim. – Lara confirmou, não dando tempo para Bianca responder.
_ Não, não é exatamente assim. Quer dizer, eu não sei. Eu gosto dele, mas,
fiquei tanto tempo atrás dele que agora não sei se é coisa séria mesmo que ele
quer ou se é apenas passatempo.
Bruna compreendeu o que a amiga queria
dizer. Ao contrário de Lara que bufava a cada palavra que Bianca dizia, ela a
abraçou e esperou que terminasse.
_ Sabe, eu entendo você – Murmurou, enquanto passava as mãos nas costas da
amiga – Já senti algo parecido. E não diga que você nunca sentiu Lara, você já
sentiu sim, por que está contestando agora?
_ É que assim Bru, quando eu gostava do Thales, o que foi por muito tempo
mesmo, eu me sentia triste e chateada, pra baixo o tempo todo. Realmente,
quando ele me enxergou eu fiquei com medo e recuei. Depois eu descobri que ele
realmente gostava de mim e demorou o tempo todo porque tinha medo que eu
recusasse. Um mau entendimento. O problema é que eu recuei e ele entendeu como
um não definitivamente. A primeira que chegou ele ficou e estão namorando até
hoje. Eu fui boba e perdi o garoto que gostava por um medo bobo. – Lara
balançou a cabeça como se quisesse esquecer-se desse passado quase distante –
Não quero que aconteça o mesmo com a Bianca.
_ É compreensível – Bianca murmurou, levantando a cabeça e olhando para as
meninas – Eu tenho medo que isso aconteça, mas também tenho medo de falhar, ou
de não dar certo, ou de ele estar só brincando.
_ Acho que nesse caso, só tentando mesmo. – Bruna sorriu – Você é uma garota
linda e incrível, além de ser uma ótima amiga. Bobo dele se não quiser nada
sério com você.
_ Era isso que eu estava querendo dizer – Lara sorriu, passando a mão pelos
cabelos loiros – A diferença é que não fui tão doce como a Bruna.
_ Uma boa diferença viu. – Bianca debochou, deixando Lara com cara de besta –
Mas eu te agradeço Larinha, obrigada, viu? Eu amo vocês duas. Acho que vocês
tem razão, não tenho que ter medo, tenho que ir e viver o momento. Como diria
você, Bruna, sou de momentos e o momento agora é que eu e o Marcos iremos ficar
e quem sabe até namorar!
_ É isso ai – Bruna e Lara concordaram em uníssono.
_ Bem garotas, acho que já dei drama demais, que tal pedirmos sorvete agora?
_ Eu acho uma boa ideia. – Bruna riu, olhando para o cardápio – Acho que vou
querer um Sundae.
_ Vou pedir o mesmo que você, só por hoje eu corto minha dietinha – Brincou
Lara, ocasionando risos entre as amigas.
As três fizeram os pedidos e em poucos
minutos se deliciavam com seus sorvetes. Após terminá-los, foram para a casa de
Lara e passaram uma tarde incrível assistindo filmes românticos, comendo pipoca
e bebendo refrigerante. Bruna riu e se divertiu como nunca. Adorava estar na
companhia das suas amigas. Para ela amizade era o que tinha de melhor e nunca
sequer chegava a brigar com elas. Eram irmãs, unidas, na vida e na morte.
Lara e Bruna se conheceram no primeiro
dia de aula na nova escola em São Paulo. Estavam na mesma turma e formaram
dupla na aula de matemática a pedido do professor. Logo estavam muito amigas e riam
atoa de coisas bobas. Já Bianca, Bruna conheceu no dia de sua mudança.
Descobriu que moravam no mesmo bairro e logo criaram uma amizade especial. A
garota apresentou Bianca para Lara e as três se tornaram inseparáveis. Bianca
que era de outra turma mudou para a sala das amigas e a partir daí, sempre
faziam os trabalhos e estudavam para as provas juntas. Toda semana iam à casa
uma da outra e sempre saiam para se divertir.
De tardezinha, Bianca e Bruna
despediram-se de Lara e voltaram juntas para suas casas. No caminho, o celular
da menina vibrou em seu bolso e era Guilherme:
_ Onde você está Bru? – Perguntou ele, a voz de menino e descolada. – Vamos
sair hoje?
_ Voltando pra casa, Gui. – Bruna respondeu – Passei à tarde na Lara. Bem, acho
que sim, aonde você quer ir?
_ Sair pra jantar, ir ao cinema, sei lá. Faz tempo que não saio com minha
namorada pra valer. Ver você de tarde não basta.
_ Tudo bem então – Bruna riu – Passe aqui por volta das 20h.
_ Ok. – Ele deu uma risada – Beijos, eu te amo.
_ Eu também.
_ Ultimamente vocês andam tão secos um com o outro – Bianca observou – Você não
gosta mais dele como antes?
_ Não é isso – Bruna parou para pensar – Mas sinto que está faltando alguma
coisa. Na relação, em nós, em mim, nele...
_ Como o quê?
_ Imagino que mais paixão – A garota suspirou – Não sei se todo relacionamento
cai nisso depois de um tempo, mas...
_ Deve ser apenas uma fase ruim, você vai ver, passa rápido! – A amiga disse
sorrindo, colocando a mão no ombro de Bruna – Vocês dois são fofinhos juntos.
_ É, eu sei. Eu gosto do Gui. Embora...
_ Embora?
_ Não sei, venho sentindo alguma coisa diferente aqui dentro. Como se eu
soubesse que lá no fundo, não temos mais muito tempo juntos.
Bianca encarou os olhos de Bruna e ficou
analisando-a por um tempo. Bruna ficou imaginando o que a amiga poderia estar
pensando de si. Afinal de contas, quando conheceu Guilherme havia ficado
realmente envolvida e intrigada com ele. Não demorou muito e os dois estavam
assumindo gostar um do outro e logo já estavam namorando. Tudo era lindo e
perfeito no começo, mas agora... Não que as coisas estivessem ruim, mas Bruna
sentia que algo forte viria a acontecer e tudo mudaria.
_ Até parece que você está gostando de outro.
Bruna começou a rir, Bianca não entendeu
a reação da amiga.
_ O que foi? É o que parece mesmo.
_ Não, não é isso sua boba. Bem, não sei. Eu só sei que é como um
pressentimento, de que algo está pra mudar e eu e o Guilherme não iremos durar.
– Bruna refletiu sobre suas próprias palavras – E eu acho que é uma coisa boa.
_ Uma coisa boa? Você ganhar na loteria e namorar um ator de cinema? – Bianca
ironizou e as duas caíram na gargalhada – Não é você que diz para viver o
momento? Então vá com calma amiga, o que for pra ser, será.
_ Sim, você tem razão.
Pararam em frente à casa de Bruna e se
despediram. Bianca aconselhou a amiga para que tentasse não transparecer esse
sentimento esquisito que sentia, porque Guilherme era um garoto legal. Deram um
abraço e Bianca seguiu seu rumo, enquanto escutava música com seus fones. Bruna
suspirou e entrou. Na sala, seu pai e sua mãe assistiam TV abraçadinhos. Deu um
sorriso de lado ao vê-los e imaginou-se um dia na sua futura casa com seu
futuro marido, deitados juntos e abraçadinhos assim como seus pais, assistindo
a um filme romântico. Mandou o pensamento pra longe ao perceber que o rapaz não
era Guilherme. Mesmo sabendo e sentindo que seu futuro não seria com ele, não
se sentia bem imaginando essas coisas. Sem fazer barulho para não estragar o
clima dos dois, subiu para seu quarto. No corredor encontrou Sophia se olhando
no espelho e dando um retoque na maquiagem rapidamente.
_ Vai sair também Bruna? – A irmã mais velha perguntou, depois de averiguar se
estava tudo ok com seu visual. – Com o Gui?
A irmã mais nova concordou com a cabeça
sem dizer nada.
_ Que bom, eu gosto do meu cunhadinho, sabia? Ele é meio pateta, mas é legal.
Te fez ficar menos tímida pelo menos. – Sophia riu um pouco – E por que está
tão calada maninha?
_ Estou pensativa. – Bruna respondeu ainda um pouco distante.
_ Está com cara de quem vai dar um fim na relação. O que está acontecendo entre
vocês dois?
_Nada. – Bruna respondeu rapidamente, como se voltasse a si de uma vez –
Estamos bem, ok? Irei tomar banho, me arrumar e ele virá me buscar por volta das
20h. – Ela olhou no relógio – E olha só, estou atrasada. Tchau maninha, te amo.
Se cuide.
Sophia ficou olhando a irmã sem dizer
nada. Achava que ultimamente a pobrezinha precisava de um bom terapeuta.
_ Tudo certo então. Se cuide você também e se divirta. Um beijo, tchau.
Bruna fechou a porta atrás de si e
deitou na cama. Algo em seu coração dizia que as coisas mudariam em breve e ela
não aguentava mais essa sensação. Sentia-se só mesmo com todos ao seu redor,
sentia-se como um quebra-cabeça com uma peça faltando. Não estava infeliz, mas
estava vazia. Na verdade, achava que estava ansiosa demais para algo que não
sabia o que era e que isso era como dar um tiro para o alto.
_ Independente do que seja, tenho que viver agora e hoje. Vou me arrumar e
aproveitar muito o meu namorado hoje! – Ela exclamou de sobressalto e
levantou-se da cama, rumando para o banheiro.
Tomou banho, colocou um short jeans e
uma blusinha rosa clarinha. Penteou seus cabelos castanhos escuros e passou uma
maquiagem leve, mas que realçava seus olhos e seu rosto. Passou um pouco de
perfume e pegou sua bolsa. Guardou o celular dentro dela e desceu devagar sem
fazer barulho. Seus pais continuavam abraçadinhos, mas agora dormiam. Bruna deu
uma risada silenciosa e na pontinha do pé, foi até a TV e a desligou. Passou
pela porta e a fechou lentamente.
Esperou poucos minutos na varanda.
Guilherme era pontual e disso Bruna nunca teve do quê reclamar. Ela viu o carro
do namorado apontar na esquina e já se levantou, abriu o portão com cuidado
para não fazer barulho e o fechou atrás de si. Guilherme estacionou o carro em
frente de sua casa e desceu sorridente. Os dois se abraçaram e deram um beijo.
_ Está linda hoje. – Gui passou a mão no cabelo de Bruna que corou – Hoje e
sempre não é?
_ Que nada. – Bruna riu – Estou tão básica mesmo. Bem, vamos ver que filme?
_ Não sei, na hora nós vemos. Vamos?
_ Vamos!
Os dois entraram no carro e Bruna se
acomodou ao lado do namorado. Guilherme era forte, mas não exageradamente. Era
alto, bonito e loiro. O cabelo era repicado e continha bastante gel. Era
elegante e gostava de usar roupas bonitas e de marca, mas não era esnobe quanto
parecia. Tinha 18 anos e estava no primeiro ano da faculdade onde cursava
Administração. Bruna sempre achou engraçado o fato de o namorado ser tão
brincalhão e querer fazer algo tão sério. Mas era o que ele queria e ela não
palpitava.
Foram ao Shopping mais próximo da casa
dela. Andaram até o cinema direto e escolheram o filme que veriam. Era uma
comédia romântica do jeito que Bruna gostava. Compraram os ingressos e como
teriam algum tempo antes do filme começar, deram uma volta pelo shopping.
Visitaram algumas lojas de roupas e calçados que Guilherme gostaria de ver e
terminaram gastando a maior parte do tempo numa livraria, onde Bruna sentia-se
em casa como em nenhum lugar do mundo. Guilherme presenteou-a com um livro que
havia se apaixonado já logo na vitrine. Bruna tentou recusar, afinal não era
nenhum dia especial, mas o namorado insistiu.
Compraram a pipoca e o refrigerante e
entraram na sessão. Guilherme puxou a garota para perto de si e ela apoiou sua
cabeça no ombro dele. Por mais que não pudesse definir o que estava sentindo
dentro de si, Bruna se sentia segura ao lado dele. E gostava disso. Gostava da
proteção que ele passava para ela e gostava do jeito que ele a envolvia em seus
braços. Por mais que sentisse que isso não duraria ainda muito tempo mais,
queria aproveitar o momento.
Após o filme foram para uma pracinha e
ficaram abraçados no banco, sob uma noite calma e tranquila em um céu negro com
pequenas estrelas cintilantes.
_ Gui...
_ Oi amor?! – Guilherme segurava a mão de Bruna e a beijava delicadamente.
_ Você sabe qual é o meu sonho não é...
_ De ser pedida em casamento? Pode ficar tranquila que quando tivermos idade eu
peço – Ele riu, mordendo a mão da garota que sorriu.
_ Não, seu bobo. – Ela apertou a bochecha dele – De ir fazer faculdade na
Europa.
_ Você ainda está com essa ideia? – A reação dele foi exatamente a que Bruna
esperava.
Guilherme não entendia o motivo de a
namorada ter esse sonho. Para ele, já estava de bom tamanho se ela conseguisse
cursar uma universidade federal em São Paulo mesmo. Afinal, São Paulo tinha
universidades boas e estariam sempre próximos. Não teria porque ela querer ir
para longe, ou teria?
_ Não gosto dessa ideia não amor. – Ele disse, fazendo biquinho – Vamos ficar
longe um do outro.
_ Mas é o meu sonho. Desde quando nos conhecemos eu o tenho. Você sabe disso. –
Bruna ficou com o olhar um pouco distante, imaginando-se nos corredores de uma
universidade estrangeira, realizando seus maiores desejos. Guilherme notou o
brilho em seu olhar.
_ É um sonho que eu não participo!
A secura em sua voz fez com que Bruna
voltasse a si e o encarasse. Guilherme parecia sério e carrancudo. Ela entendia
o que ele sentia, mas também queria que ele a entendesse ao menos um pouco.
_ Não fale assim. Até parece que estou estragando tudo entre a gente. – Ela
demonstrou ter ficado chateada em sua voz e ele a envolveu novamente em seus
braços.
_ Não é isso – Ele murmurou baixinho – Não quero perder você.
_ Você não vai me perder. Vamos ficar longe por um tempo sim, mas podemos nos
falar com frequência. Ligações, mensagens, internet, uma vez por mês...
_ Acha mesmo que quero que as coisas sejam assim? – Ele a encarava com
indignação.
_ Não, sei que não quer. Mas é o meu sonho, é o que eu quero para minha vida. É
o que desejo para o meu futuro. Quando eu tiver meus 30 ou 40 anos quero
acordar sabendo que fiz a coisa certa. Que estou no lugar certo. Que se eu
errei, pelo menos tentei.
_ Você fala como se não me amasse.
Bruna sentiu-se culpada pelo que
Guilherme disse. O amava como pessoa, como amigo, como companheiro, mas não
como namorado. Não sentia o maior sentimento do mundo por ele. Gostava bastante
dele, mas sabia que seu bastante não era tudo.
_ E ficou calada por quê? – Ele insistiu, querendo ouvir um não da garota.
_ Você é bobo. Está confundindo as coisas. – Foi o máximo que ela conseguiu dizer
– Só quero que saiba que se algo não der certo entre a gente, vou sempre me
lembrar de você apenas com pensamentos bons.
_ Por que está falando assim? Você quer terminar, é isso? – O desapontamento na
voz dele era mais do que perceptível e angustiante.
_ Não Guilherme. Olhe pra mim. – Bruna segurou seu rosto e o encarou
profundamente – Eu sou feliz, ok? Mas a vida é uma caixinha de surpresa e não
sabemos o dia de amanhã. Só quero dizer que se eu conseguir uma bolsa para
cursar uma universidade fora do país, eu irei. Ou se meu pai conseguir pagar,
eu não sei como, mas se aparecer à oportunidade, eu irei. E no que depender de
mim, as coisas serão como tiver que ser. Por mim, não haveria um fim – Ao dizer
isso, Bruna sabia que estava mentindo para si mesma, mas não era como se o
estivesse enganando. Ela era sincera e falava como uma pessoa madura – Tudo
dependerá de como você lidará com isso.
_ Não quero que essa oportunidade surja. – Ele disse isso tão baixo que a
garota precisou se esforçar um pouco para entender.
_ Está sendo egoísta.
_ Não estou.
_ Está sim.
_ Você que está pensando apenas em você. Você que quer ir pra Europa fazer uma
faculdade boba e deixar seus amigos e seu namorado pra trás. – Havia um pouco
de grosseria por trás de tudo o que ele falava e lá no fundo, isso magoou a
menina.
_ Quero ir embora Guilherme, agora. Não me ofenda desse jeito. Você fala como
se eu não me importasse com ninguém e só comigo. Eu vou sentir sua falta e de
todos. Mas estou pensando na minha carreira e no meu futuro. Eu tenho esse
sonho desde garotinha e você não mudará isso. Vamos, estou com dor de cabeça,
quero deitar. –Ela se levantou e cruzou os braços, fitando o namorado.
Guilherme preferiu não dizer mais nada.
Fez uma cara feia e levantou-se. Deixou Bruna na porta de casa e se despediram
com um beijo xoxo. Quando ela desceu do carro ele pensou em descer atrás e
puxá-la para si, mas desistiu da ideia. Deu partida no carro e foi embora.
Bruna entrou desolada. Seus pais não
estavam mais na sala, mas havia uma bacia de pipocas sobre a mesinha da sala.
Ela foi diretamente para a cozinha e bebeu um copo d’água. Subiu para seu
quarto e trancou-o. Tirou a maquiagem e colocou o pijama. Pegou o diário e
escreveu um poema triste sobre perdas e decisões. Embaixo do mesmo escreveu:
“Não
quero magoar quem eu amo, não quero pensar apenas em mim mesma. Quero que todos
fiquem e sejam felizes. Quero ficar e ser feliz também. Não quero ver ninguém
chorando ou sofrendo por minha causa. Só queria que as coisas fossem mais
fáceis... O caminho pros nossos sonhos são tão complicados, por quê? Só não
quero que me culpem por algo que eu não tenho culpa. Não quero fazer ninguém de
bobo. Eu peço desculpas se já o fiz. Eu só quero que o amanhã seja melhor e o
que tiver que ser, será.”
Ao terminar, fechou o diário. Olhou para
a estante e pensou em ler um pouco, mas realmente percebeu que estava com dor
de cabeça. Tomou um remédio e deitou na cama. Ficou imaginando como seria o dia
em que receberia a notícia de que poderia estudar fora. Uma paz e uma
felicidade tomaram conta instantaneamente em seu peito. Sentiu-se relaxada e
quase se esquecera da discussão que tivera momentos antes com Guilherme.
Ah
Guilherme, não quero magoar você... Mas terá que ser assim. Não posso trocar
meu sonho por um relacionamento que eu sei que não irá durar...
Seus olhos se fecharam lentamente e
dormiu um sono tranquilo, onde novamente morangos e um garoto que nunca vira na
vida tomaram conta de seus sonhos.